Videogame antigo parado em casa: o que ainda vale dinheiro e o que não vale
Quase toda casa tem uma caixa guardada com console antigo, um punhado de jogos e um emaranhado de cabos. Parte disso vale um dinheiro que surpreende. Outra parte vale bem menos do que a nostalgia sugere. Saber separar as duas coisas é o que evita tanto vender barato demais quanto ficar meses com um anúncio parado esperando um preço que ninguém paga.
Quatro coisas decidem o preço, e nostalgia não é uma delas
Antes de olhar qualquer item específico, vale entender o que realmente move o valor de um videogame antigo:
Procura: quanta gente busca esse item hoje. Console cultuado com comunidade ativa vale mais que console esquecido, mesmo sendo mais antigo.
Raridade real: tiragem pequena, edição limitada, versão específica de um país. Ser velho não é ser raro. Muitos consoles dos anos 90 venderam milhões de unidades.
Completude: caixa, manual, isopor interno, cabos e controles originais. Um conjunto completo pode valer o dobro do mesmo item solto.
Funcionamento: item testado, ligando e rodando vale muito mais que item vendido no escuro, e a diferença entre os dois costuma ser meia hora de teste.
O que costuma valer bem
Portáteis em bom estado: Game Boy, Game Boy Advance, Nintendo DS, PS Vita. Tela sem risco e sem pixel morto pesa muito no preço.
Consoles completos na caixa: com isopor, manuais e acessórios originais. Aqui a caixa não é bônus, é boa parte do valor.
Jogos de nicho: RPG, terror, estratégia e títulos que venderam pouco no lançamento. Foram poucas cópias então, e hoje há gente procurando.
Acessórios originais de fábrica: controle Sony ou Nintendo original, memory card oficial, cabo componente, adaptador de força correto. O mercado de reposição é constante e paga bem.
Consoles com versão regional própria: os modelos que a Tectoy lançou por aqui, por exemplo, têm público colecionador específico.
Itens lacrados: outro patamar de preço, desde que o lacre seja de fábrica e você consiga mostrar isso em foto.
O que quase nunca vale o que você espera
Jogos de esporte anuais: as edições antigas de futebol e afins foram vendidas aos milhões e continuam abundantes.
Grandes sucessos sem caixa: os campeões de venda da época estão em toda parte. Soltos e riscados, valem pouco.
Cópias gravadas: praticamente não têm valor de revenda, e anunciar como original dá problema sério.
Acessórios genéricos: controle paralelo, cabo de marca desconhecida, memory card não oficial. Vendem, mas por valor simbólico.
Console sem cabo, sem controle e sem teste: vira peça para conserto, e o preço acompanha isso.
Item com defeito escondido: além de valer menos, gera devolução e prejudica sua avaliação como vendedor.
Os itens que muita gente joga fora e valem dinheiro
Essa é a parte que mais surpreende quem está esvaziando um armário. Antes de descartar qualquer coisa, separe:
Fontes e carregadores originais, principalmente de portáteis e de consoles com voltagem específica.
Cabos de vídeo originais, com destaque para os de melhor qualidade de imagem.
Memory cards oficiais, que continuam sendo comprados por quem joga em console de época.
Caixas, manuais, encartes e até o plástico interno. Vendidos separados, encontram comprador que está completando um conjunto.
Capinhas e estojos originais de portátil.
Controles com defeito leve, como analógico gasto. Tem gente que compra para peça.
Como descobrir quanto o seu vale de verdade
O caminho é sempre o mesmo, em três passos:
Descreva seu item com precisão: modelo exato, região, o que acompanha, o que falta, defeitos visíveis, se foi testado.
Procure anúncios já vendidos, não os que estão à venda. O que está publicado mostra o que o vendedor pediu. O que foi vendido mostra o que alguém pagou.
Cruze pelo menos três fontes e desconte comissão do canal e frete antes de decidir o preço. O número que interessa é o que sobra na sua conta.
Esse raciocínio tem mais camadas, e vale conferir o passo a passo em como precificar um console retrô sem se arrepender depois.
Antes de anunciar, faça três coisas
Teste. Ligue, rode um jogo por alguns minutos, mexa nos dois analógicos, teste todos os botões, confira as entradas de controle e de memory card. Anotar tudo isso te dá material para a descrição e evita surpresa depois da venda.
Limpe com cuidado. Pano de microfibra seco resolve a maior parte. Em contatos de cartucho e conectores, use cotonete com álcool isopropílico e espere secar. Fuja de produto abrasivo, esponja áspera e água em qualquer lugar perto da parte eletrônica. Sobre clarear plástico amarelado, pense duas vezes: o processo envolve produto químico e luz, é fácil manchar, e um plástico manchado vale menos que um plástico amarelado uniforme.
Fotografe direito. Boa parte da diferença de preço entre dois itens iguais está na foto. Vale seguir o roteiro de como fotografar seus jogos pra vender mais rápido, que resolve luz, fundo e ângulo com o celular que você já tem.
Vender agora ou guardar mais um tempo
A regra prática é simples. Item comum não fica mais raro com o tempo, e plástico, bateria e mídia continuam envelhecendo dentro do armário. Se é comum, vender agora quase sempre é melhor que esperar.
Item completo na caixa, lacrado ou de tiragem pequena é outra conversa: esses tendem a se valorizar, desde que você guarde longe de sol, umidade e calor. E existe um terceiro caso, o mais comum de todos: você tem trinta itens e não vai esperar por nada. Nesse caso, anuncie o lote inteiro e deixe o mercado decidir a ordem em que as coisas saem.
Perguntas rápidas
Console que não liga vale alguma coisa?
Vale, como peça ou para conserto. O preço é bem menor, e o anúncio precisa dizer com clareza que não liga e que não foi testado além disso.
Vale mais vender o console com os jogos ou separado?
Separado costuma render mais no total, porque cada item encontra o comprador certo. O lote fechado vende mais rápido e dá menos trabalho. É uma escolha entre tempo e dinheiro.
Preciso da caixa original para vender bem?
Não precisa, mas ela muda o preço de forma relevante em consoles e em jogos de coleção. Se você ainda tem a caixa em algum lugar da casa, procure antes de anunciar.
Como sei se meu jogo é original?
Dá para checar em menos de um minuto pelo disco, pela capa e pelo código de catálogo. O roteiro completo está em como saber se um jogo de PS2 é original.
Da caixa no armário para o anúncio no ar
O trabalhoso não é descobrir o valor de um item, é fazer isso trinta vezes e ainda publicar tudo em cada canal. Cadastrando cada peça uma vez, com estado, fotos e preço no lugar, o mesmo item vai para a sua loja, para os marketplaces e para o texto pronto que você cola no grupo de WhatsApp. A caixa esvazia bem mais rápido assim.
